Sopra Induction

E lá fui eu em busca do Robin Hood para a floresta de Sherwood. Uma induction é assim como um seminário de introdução à empresa organizado para os novos colaboradores. Foram três dias (ou vá, dois meios dias mais um dia inteiro) de lavagem cerebral dos valores da empresa e actividades de team building. Pelo meio algumas panquecas e muitos passeios de bicicleta.

Chegámos lá na quarta-feira, eu e o Sebastian, duas horas e meia e 4 comboios depois (Chester para Crewe, Crewe para Derby, Derby para Nottingham e Nottingham para Newark Castle), um deles com, literalmente, uma carruagem. Parece que ir das cidades principais para qualquer parte do país é muito fácil e directo, mas ir do meio de nenhures para o meio de outro nenhures, é complicado.

Chegados a Newark Castle, taxi à nossa espera (gente fina é outra coisa), vamos lá em busca do Robin Hood. O sitio para onde fomos chama-se CenterParcs e parece que há vários no UK e, disse-me a Aida, montanhas deles em França. É um parque com muita natureza e onde se pode ir passar férias ou organizar eventos corporativos como o nosso. Digamos assim um parque de campismo mas com cabanas em vez de tendas e restaurantes mais ou menos chiques.

Chegámos lá disse-nos o organizador: agora vão para o vosso bungalow deixar as malas e depois vão buscar a vossa bicicleta. Oi? Bicicleta?… Pois, não era obrigatório claro, mas para andar pelo parque a bina dava mais jeito. Resultado, fiquei dorida no sítio do corpo que assenta no selim (que eu não vou dizer qual é mas vocês sabem)! Andar de bicicleta é sempre assim. Mas pronto, ‘tá bem, bora lá. Como não tinhamos almoçado grande coisa, estávamos um bocado esfomeados e o que é que nos aparece à frente, qual oasis perante o sedento no deserto? Uma Pancake House! Venha de lá uma banofee pancake com banana, gelado de baunilha e chantili. O Sebastian comeu uma omolete com cinquenta tipos de carne lá dentro. Não sei se mencionei, estávamos com fome. Estavam tão boas que no dia seguinte voltámos lá para comer a mesma coisa e levámos mais dois amiguinhos connosco. Amiguinhos esses que tinham as tipicas conversas de pessoas que têm filhos, ai o meu filhinho isto, ai a minha filhinha aquilo, já estava quase a vomitar a panqueca cá pa fora com aquela conversa, mas enfim.

Depois da panqueca, fomos para o bowling. 30 anos da minha vida sem jogar bowling e de repente duas vezes em menos de uma semana. E pelos vistos melhorei bastante da primeira para a segunda, que levei para casa o prémio da melhor pontuação feminina (uma garrafa de champanhe)! Fomos todos apresentados e organizados em equipas para nos irmos conhecendo e integrando. Um gajo vira-se para mim e para o Sebastian e pergunta, então voces são os dois franceses?… Eu, já me tinham dito que tinha pronuncia de francesa, claro que eu não faço ideia porque seja isto, eu acho que tenho mais pronuncia americana que outra coisa, mas enfim, agora, o Sebastian, que tem uma pronuncia que mais parece russo ou uma dessas línguas eslavas que não lembra ao diabo, não percebi, sinceramente. Não, respondemos nós depois de meia hora a rir, portuguesa e polaco. Ahh…. dumbass!

O jantar foi no Cafe Rouge, o mesmo restaurante onde eu comi um linguado bonzito em Chester mas não sei porquê, lá naquele não havia esse prato. Claro que nessa altura já metade do pessoal estava bebado, tinham logo começado no bowling. Ingleses! Eu estava a suminho de laranja sem gelo e águinha natural que a minha garganta estava a dar de si já desde o dia anterior.

Quinta-feira de manhã foi o ice-breaker e o ovo. Já lá vamos.
O ice breaker, como o nome indica, serve para o pessoal se conhecer. Todos numa roda (eramos uns 24 mais ou menos) e começou o organizador, I’m Chris and i like golf. Depois a do lado dele tinha que dizer, ele é o Chris e gosta de golf, eu sou a não sei quantas e gosto de viajar. Depois o do lado tinha que dizer, aquele é o Chris, ele gosta de golf, aquela é a não sei quantas e gosta de viajar, eu sou o não sei que mais e gosto de mais não sei o quê. E pronto, com vinte e tal pessoas a repetir esta ladaínha, quando chegámos ao fim já praticamente toda a gente sabia o nome de toda a gente.

O ovo, pois, foi engraçado. Então era assim – um ovo ia ser lançado de uma altura de 5 metros e tinhamos que inventar uma coisa qualquer para apanhá-lo para que não se esborrachasse no chão e chegasse inteiro. Tinhamos uma data de material, cartolina, elasticos, balões, fita cola, corda, etc etc etc e não tinhamos que nos limitar ao material que tinhamos, se quisessemos usar uma cadeira, sei lá, ou outra coisa qualquer que estivesse à mão, podiamos. Uns construiram um avião com as cartolinas e o ovo voo em segurança até ao chão; outros inventaram um material que é líquido mas tem algumas propriedades de sólido e absorvia o impacto da queda e o ovo sobreviveu até ao chão. O meu grupo resolveu acondicionar o ovo à volta de uma série de material fofo e que absorvesse o choque do impacto e o nosso ovo também sobreviveu. Outro grupo lançou o ovo pendurado em balões, truque que também resultou. Ou seja, todos os grupo conseguiram que o seu ovo sobrevivesse intacto, coisa inédita até aí, pelo que nos disse o organizador.

Da parte da tarde fomos saltar de árvore em árvore, que é como quem diz, um percurso alguns metros acima do chão em que tinhamos que ir de árvore em árvore através de pontes, cordas, teias de aranha feitas com cordas, etc etc etc. Ainda assim, nada de Robin Hood. Depois fomos jogar paint ball mas com laser em vez de tinta. Nunca joguei paint ball mas com a tinta deve ser muito mais giro que a mira dos lasers não estava lá muito apurada. Havia uma miuda que, por mais que atirassem contra ela, ela não morria!!!! Havia lá segways também e pessoalmente, teria preferido muito mais mas ok.

O tempo aguentou-se, estava com receio que chovesse e eu apanhasse uma pneumonia mas esteve sol. Frio, mas sol.

Antes do jantar, estava eu de pezinhos para cima, sentadinha no sofá no quentinho do nosso bungalow, aparece-me o Sebastian à porta com uma Corona, com rodela de limão na ponta e tudo, a dizer que estava no supermercado a comprar não sei o quê e viu a Corona e lembrou-se de mim. Tão fofo! Já mencionei que se vai casar na primavera? Raisparta!

O jantar foi num italiano desta vez, mas eu não estava com muita fome porque duas horas antes tinha emborcado uma panqueca enorme quase como o Ricardo Araújo Pereira aspira pudins e portanto comi filetes de robalo.

Na sexta-feira houve umas apresentações dos RH e outro ice breaker também engraçado que foi o bingo. Tinhamos uma tabela como o bingo só que em vez de números tinham uma série de factos do tipo “já fui a veneza”, “falo 3 linguas”, “já fui a um blind date”, “já corri uma maratona”, “tenho uma tatoo” e outras que tais e então tinhamos que encontrar no grupo pessoas que já tivessem feito essas coisas e quando encontrássemos, punhamos o nome da pessoa no quadradinho e quando conseguissemos completar tudo, gritávamos bingo. Ninguém conseguiu completar os quadradinhos todos porque aparentemente não se conseguia encontrar quem tivesse corrido uma maratona, entre outros quadradinhos que não se conseguiu achar ninguém para lá pôr, mas o objectivo realmente era ficarmos a conhecermo-nos melhor e esse objectivo foi cumprido.

A seguir ao almoço, ala para Londres que se faz tarde. Viemos por Newark North Gate e chegámos a Kings Cross que é onde está a plataforma nove e três quartos mas só me lembrei disso depois de chegar a casa e por isso não fui à procura dela.

E foi assim que aconteceu!

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