O mercado imobiliário em Londres

Contextualizando: em termos de área, Londres (por Londres entenda-se Greater London, normalmente limitada pela auto-estrada M25 que é uma espécie de CREL) é um bocadinho maior do que a grande Lisboa (por grande Lisboa entenda-se a capital mais a Amadora, Cascais, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras, Sintra e Vila Franca de Xira). Em termos de população, é 4x maior com os seus 8 milhões de pessoas.

Viver em Londres é caro. É muito caro! Nunca achei que Londres fosse assim tão mais cara que Lisboa como toda a gente me assustava, excepto no preço da habitação. Pelos olhos da cara que pago por um quarto na zona de 2 de Londres, tinha um belo T1 só para mim no Parque das Nações ou no Lumiar ou Campo Grande; ou um belo T2 em São Domingos de Benfica. Já para não falar da Parede/Cascais, onde tinha um T1 ou T2 a 5 minutos da praia e com alguma sorte, com vista para o mar, mas pronto, isso já é outro segmento, não é centro de cidade. E mesmo assim o que pago aqui, para a zona e tipo de casa nem é nada mau! Claro que em Portugal não tinha o salário que tenho aqui, não é?, por isso vamos comparar com Chester onde se ganha um bocadinho menos que em Londres (pelo menos os meus colegas da Sopra) mas onde um T2 espaçoso com duas casas de banho e lugar de estacionamento no centro da cidade custa a volta de 600£/700£. Por este preço eu sou capaz de arranjar um quarto ranhoso numa zona mais “colorida” e multicultural de Londres numa casa dividida por 50 pessoas.

Para falar de extremos, em Londres temos os bairros finos de Belgravia ou Knightsbridge ali a sul do Hyde Park, no famoso e prestigiado código postal SW1 (os londrinos mencionam “por acaso” os seus códigos postais finos como as portuguesas passeiam malas Louis Vuitton ou óculos de sol Prada), onde as rendas andam nas 6.000£ por mês; ou Mayfair (que é aquele quadradinho maravilhoso entre o Hyde Park, Regent St, Oxford Street e Picadilly) e Baker Street (onde morava o Sherlock Holmes) por 5.000£/mês.
Na outra ponta do espectro está Catford (código postal SE6), na zona 3 do metro, a sul do rio (o sul é geralmente mais barato que o norte), onde uma casa custa, em média, 884£ por mês. Não conheço esta zona, mas por este preço, parece-me que também não quero conhecer…

Mayfair:

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Em termos de venda, parece que em toda a cidade só há umas 20 propriedades para venda abaixo das 100.000£ (!) e o preço médio de venda duma propriedade foi, em Marco, de quase 375.000£.

There are only about 20 mainstream properties on the market for “five figures”, an analysis of estate agents listings has revealed. (…) The analysis follows the publication of Land Registry figures showing that only 28 flats and houses changed hands for less than £100,000 in January, the last month for which figures are available. This was down from 76 in January last year and compares with 412 homes which sold for more than £1 million. (via)

The average value of a home in the capital rose by 2.5 per cent in March alone to £374,568, according to official Land Registry data. (via)

Segundo os analistas, o facto das rendas estarem a níveis astronómicos deve-se a vários factores, nomeadamente o aumento de procura por parte dos estrangeiros ricos que gostam de ter casas nas zonas finas de Londres (a serio, ter casa em Belgravia, Knightsbridge ou Mayfair é o supra-sumo da batata! Aquilo é tudo nos milhões de libras, palacetes por 20 milhões, apartamentos por 2 ou 3 ou 7 milhões, é tudo assim! É como ter uma bruta vivenda no Restelo ou na Quinta Patino no Estoril x10. E o que é mais fino do que ter uma casa na zona mais fina de Londres? Assim de repente não me lembro de nada; talvez Paris ou NY estejam, quanto muito, em pé de igualdade) e a dificuldade de obter uma hipoteca do ponto de vista financeiro, bem como o aumento dos preços de aquisição o que empurra toda a gente para o mercado de arrendamento. Dizem que se fosse mais fácil e mais barato comprar casa em Londres, não haveria tanta gente a arrendar e por isso os valores das rendas baixavam. Não sei se concordo totalmente com esta ultima análise. Faria sentido em qualquer capital europeia mas parece-me que Londres não é uma cidade “normal”, é uma cidade com mais estrangeiros que britânicos e para aqueles é uma cidade passagem e não necessariamente um sitio onde queiram assentar e constituir família. A mentalidade do típico londrino não é mentalidade de comprador. Posso estar enganada, dado que, mesmo que não queiram lá viver, é uma óptima cidade para investir – comprar casa e arrendar. Mas o que quero dizer é – uma grande parte dos londrinos, mesmo se pudessem, não sei se optariam pela compra.

Outra coisa que me dizem os londrinos que eu conheço que querem efectivamente comprar casa é que, dado que os preços estão a subir, os vendedores não querem vender hoje por 100 se acham que amanhã conseguem vender por 110, ou seja, o aumento dos preços não é sustentado necessariamente por uma grande procura, mas mais pela expectativa de subida continuada. Claro que isto tresanda a bolha imobiliária, mas mesmo assim, a procura por habitação em londres é tão grande, que mesmo que a bolha da venda rebente, os proprietários podem sempre virar-se para o arrendamento, mercado muito mais dinâmico, por isso se eu fosse proprietária de uma casa em Londres também não estaria muito preocupada nem muito desejosa de vender.

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