On the nightstand

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Estou a ler esta besta de um milhão de páginas (no kindle). Apareceu-me um dia no Kindle Daily Deals por 1£ e pensei que talvez fosse interessante. Afinal, é capaz de ser o melhor livro de história que eu já li. Lê-se como um romance, o autor conta a história de uma maneira bastante cativante, realçando com um humor seco as pequenas ironias do destino, como por exemplo o episódio da visita amigável da marinha inglesa ao porto alemão de Kiel onde ingleses e alemães se comportaram como aliados e da qual se vieram embora jurando amizade eterna na véspera do assassinato do Franscisco Fernando.

O livro conta a história das trocas e baldrocas da política europeia da segunda metade do século XIX até ao início da Grande Guerra; como tantas e tantas vezes esteve à beira do abismo mas só caiu quando tropeçou num evento que todos na altura classificaram como lamentável mas não significante o suficiente para justificar uma guerra europeia (era opinião comum na época que revoluções e assassinatos eram o pão nosso de cada dia nos Balcãs). O foco da história é as políticas Britânica e Alemã, mais concretamente a corrida ao armamento daquelas duas potências, armamento esse na forma de barcos de guerra. Contra este pano de fundo, são expostos vários episódios diplomáticos, militares, políticos que contribuiram para o resultado de 1914, nomeadamente, a unificação da Alemanha; a anexação da Alsácia e Lorena e como os Franceses ficaram com essa atravessada 40 anos; a “birra” do William II em querer uma marinha que rivalizasse com a inglesa; o alarme dos ingleses a verem uma potência europeia a construir uma marinha que lhes fizesse frente; as guerras e instabilidade dos Balcãs; o assassinato do Francisco Fernando; o ultimato e por fim, a guerra.

Também é interessante notar como os governantes reagem aos acontecimentos nos diferente países e como eesa reacção está intimamente ligada com os sistemas de governo. O imperador alemão era um homenzinho com muitos complexos que não deixava passar uma oportunidade de tentar levar a melhor aos ingleses, mandava e desmandava quase como se não tivesse o Reichstag nem Chanceler nem ministros e depois eram estes que tinham que andar atrás dele a apagar os fogos diplomáticos que ele criava. Os ingleses por outro lado tinham que submeter todas as decisões importantes ao parlamento e não havia cá desmandos nem tendencias ditatoriais.

O livro dá a impressão que os alemães, mais concretamente o imperador William II, tinham um grande complexo de inferioridade em relação aos inglese. Já não é o primeiro livro que leio que dá a ideia que o imperador tinha uns tiques de bully, tentava sempre fazer tudo melhor que os seus primos ingleses (ele era neto da rainha Victoria) e ficava altamente irritado e de orgulho ferido quando os ingleses levavam a melhor ou quando o ministro dos negócios estrangeiros inglês lhe dizia para parar de construir barcos que os britânicos não estavam a gostar de se sentir ameaçados. Não sei se será parcialidade da parte do autor ou se o pobre homem tinha mesmo baixa auto-estima, tenho que ler um autor alemão sobre este tema para tirar isto a limpo.

Ando a lê-lo há meses, de tão longo, mas estou a chegar ao fim e isso entristece-me. Se calhar quando o acabar, leio-o outra vez (ou então leio a “sequela“).

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