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No último ano de faculdade, quando todas as consultoras iam ao ISCTE apresentar-se, era sempre a mesma conversa: há e tal somos muita boas e respeitáveis e não sei que, e era verdade, PWC, Accenture, Deloites, household names como se diz cá no meu pais adoptado, e sem dúvida óptimas escolhas profissionais. Depois era: aqui está o nosso plano de carreira, pimbas, todo um plano de vida profissional, 15 anos, mais coisa menos coisa e eram todos iguais, para além de serem up or out. E aquilo fazia-me imensa confusão! Primeiro o clima demasiado corporate que na altura eu achava demasiado sério e pouco coincidente com a necessidade que eu tenho de me divertir no trabalho. Mas na realidade o que me fazia confusão era aquela coisa da carreira ali escarrapachada num slide, e o up or out. Então e se eu quiser ser programadora toda a vida? E se eu for feliz a ser geek? Eu desconfiava ali de uma tentativa de me formatar a uma vida e uma filosofia igual à de tanta outra gente e aquilo fazia-me comichão. Não me convenceram.

Um belo dia, sentada na minha esplanada, vi o anúncio da CGI no expresso emprego e decidi concorrer. Durante a entrevista não me falaram uma única vez de plano de carreira, coisa que teria afastado as pessoas sensatas, mas a mim atraiu-me; finalmente um sítio diferente, pensei eu.  Gostei das pessoas que me entrevistaram e por isso aceitei a proposta que me fizeram.

Primeiro projeto, não podia ter sido melhor. O projecto em si não foi nada de especial, embora tivesse sido interessante mas foi através dele que me relacionei com as pessoas que iam influenciar-me a ajudar-me a partir dai. No fundo eu gostava da CGI porque gostava das pessoas e não é isso mesmo o mais importante? Eu confiava profissionalmente na chefia da empresa, não só no sentido de achar que levavam a empresa a bom porto, mas também como conselheiros no meu percurso profissional. Alguns até ficaram meus amigos. Entre os colegas também se criaram relações difíceis de quebrar quando decidi sair. Eu sentia-me em casa. Muito dificilmente mudaria de empresa.

Até que me ligaram do outro lado do canal e picaram-me no ponto certo: trabalhar fora de Portugal. Ainda por cima num sítio tão perto, numa cidade como Londres! Embora não tenha pensado duas vezes, fiquei triste. Foi bittersweet.

Quando me contactaram de Inglaterra, foi da Business & Decision (B&D) que estava em processo de ser comprada pela Sopra, coisa que aconteceu pelo meio do meu processo de recrutamento, tanto que quando efectivamente assinei contrato, já foi com a Sopra.

No dia em que pus o contrato assinado no correio a caminho de Londres, fui falar com o chefe e dar a notícia. Lembro-me dele comentar que achava que essa ideia de ir para fora já me tivesse passado. Não o disse com tom de desprezo, como se fosse uma ideia idiota. Acho que o disse com desilusão, ou pelo menos eu quero acreditar que sim.

Quando cheguei a Londres tive a mesma sensação que quando estava na CGI: empresa pequena, toda a gente se conhece, toda a gente sabe com quem falar quando têm algum problema. Apresentaram-me o meu line manager que é uma mistura de mentor com gajo porreiro que sabe como tudo funciona é a pessoa a quem recorrer quando tenho problemas ou perguntas.

Depois a empresa cresceu até que se fundiu com outra, a Steria e de repente dei por mim a ter que ligar para um call center de apoio na Índia quando precisava de alguma coisa, como se tivesse a ligar para o apoio ao cliente da empresa que me dá a Internet (e neste caso, ela não me dá, mas olhem que o termo não anda muito longe da verdade, são 3.5£ por mês!). Isto não me fez bater com a porta, mas deixou-me um pouco… desiludida? Ligeiramente chateada? Depois, também houve as questões (da falta) do bónus e do fim (que eles disseram que era apenas um hiato, enquanto a fusão se consolidava) dos eventos sociais. Eu, que sou o mais bicho do mato que existe, dei por mim algo aborrecida por não haverem mais real ale tours e outras que tais.

E foi neste estado de espírito que surgiu (de novo) a B&D num espírito de start-up com nome conhecido no mercado e a tentar juntar a mesma equipa que tinham antes de serem comprados pela Sopra. Claro que a SopraSteria (como se chama agora) não deve estar nada contente com isto, já lhe caçaram uns quantos senior e executive consultants e uns head of practice, e estão a contacter em força outros consultores e consultores juniores. Daqui a pouco vão começar a estrebuchar a sério.

Tal como no salto anterior, não pensei duas vezes. Um consultor que eu já conhecia, (também caçado da Sopra há coisa de poucas semanas) embora nunca tivesse trabalhado directamente com ele, contactou-me no LinkedIn a dizer que queria ter uma conversa comigo acerca da B&D. Logo aí já eu sabia o que ele queria e formei imediatamente a ideia de que ia aceitar o que eles me propusessem. Lá veio a proposta que eu contra-propus, a fazer-me de difícil e tal, mas sabendo que se eles não aceitassem, eu ia à mesma. Eles aceitaram.

E pronto, vamos lá embora.

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