Women can(‘t) have it all

At a time when women are being told that all they need to do to “have it all” is lean in, try harder, plan their lives more carefully and marry the right kind of husband, the decision of such a high-profile woman to step down, and to speak and write about it so publicly, has continued to make waves.

Excerto da crítica ao livro Unfinished Business: Women, Men, Work, Family da Anne-Marie Slaughter na revista do Sunday Times da semana passada.

O meu primeiro pensamento foi: porque é que os homens não têm problemas destes? Não, mentira, este foi o meu segundo pensamento; o meu primeiro pensamento foi: mas os homens também não conseguem ter tudo! O que é “ter tudo”? Conseguir ser mãe, mulher, esposa, profissional, tudo 5 estrelas? Mas os homens também não são isto tudo, porque é que as mulheres acham que têm que ser?

Isto veio também a propósito das revelações recentemente publicadas no segundo volume da biografia de Margaret Thatcher do Charles Moore (também revisto na mesma revista, foi uma edição muito feminista, também veio lá uma crítica, bastante mázinha por sinal, ao filme Suffragette) de que a senhora teve sentimentos de culpa por não ter acompanhado o crescimento dos seus filhos. Nunca vi nenhuma biografia de um homem que tenha sido pai alguma vez ter declarações destas. Pondo de lado este facto machista, a verdade é que os homens não querem ser tudo, querem ser uma ou duas coisas (normalmente grandes amantes e/ou poderosos líderes; ser “bom pai” não figura muito alto na sua lista de prioridades) e se não forem tudo não é isso que os vai fazer perder o sono ou ter sentimentos de culpa mais tarde.

O meu terceiro pensamento foi acerca da origem deste mal estar feminino por perder o crescimentos dos petizes – quanto desse mal estar é induzido pela sociedade, quanto vem de dentro? Não duvido que os homens amem os seus filhos e preferissem, num mundo ideal, poder conciliar a carreira e a família, mas quando não o conseguem acredito mais na sua tristeza porque a sociedade não a exige tanto como às mulheres. Um pai ausente é apensas um homem de sucesso e a mãe estará lá para compensar a vida familiar. Uma mãe ausente é uma mulher sem coração, coitadas das crianças.

Também penso agora porque é que não se ouve tantos homens dizer que não querem filhos. Pode ser porque no fundo não é uma decisão que afecte a sua vida tanto quanto afecta a vida de uma mulher; ou se calhar eles são em proporção igual às mulheres, apenas não são castigados por dizê-lo como uma mulher o é. 

Ou talvez isto seja o produto de uma mente bombardeada todos os dias com aquilo que “deve ser”, como uma pessoa (homem ou mulher) de hoje em dia se deve comportar. Chovem de todos os lados exemplos de comportamentos modernos, dos filmes, dos livros, do politicamente correcto dos noticiários que a certa altura apetece gritar para parar o carrossel para termos um momento de paz para pensar no que está certo e errado.

Ninguém pode ter tudo.

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