Mudança de casa, IV – teaser trailer

Em busca da 4ª casa neste país – going solo

Desta vez vou morar sozinha. Gosto muito dos meus flatmates mas ja há uns meses que sinto que preciso do meu espaço por isso quando o nosso contrato de arrendamento acabar em Janeiro, vou procurar uma casa só para mim.

Eles parecem muito contentes em continuar a partilhar casa com outras pessoas o que eu estranho um bocado, um casal devia querer a sua casa, o seu espaço, mas enfim, se eles são felizes assim, força nisso.

Não tenho muitos requisitos, pensava eu, mas depois de os listar dei-me conta que afinal ainda é uma lista jeitosa:

Em relação à zona:

  • não pode ser tipo Chelas. Não tem que ser luxuoso nem sequer particularmente bonito, mas tenho que me sentir segura. Actualmente moro num sitio que faz impressão a algumas pessoas, é muito árabe e por ter um mercado, no fim do dia às vezes está um pouco sujo, mas a verdade é que já cheguei a casa a praticamente todas as horas do dia e da noite e nunca temi pela vida ou pela carteira. Como tem uma ou duas lojas de conveniência abertas quase toda a noite há sempre meia duzia de pessoas na rua, pessoas a passar dum lado para o outro, nunca está deserta por isso nunca me senti insegura.
  • Tem que ter um mini-mercado, pelo menos, muito perto que de vez em quando falta qualquer coisa básica em casa e não me estou a ver a andar até um supermercado por causa dum litro de leite ou duma cebola.
  • Nao pode ser mais do que a zona 4 do metro. Mais do que isto é muito longe e o passe muito caro!
  • Não pode ser mais que 5 minutos a pé do metro/comboio NO MÁXIMO dos máximos. Ou, em termos de distância, vá, 300 metros. Mais do que isto, à chuva, não pode ser. Ah, mas e o chapeu de chuva, perguntam voces. Pois, experimentem andar 5 minutos à chuva e vejam como ficam os vossos sapatos e calças.
  • Por outro lado, não pode ser mesmo ao lado da estação de metro/comboio se a estação não for subterrânea. Actualmente moro mesmo ao lado da estação do DLR que não é debaixo do chão (é até ao nivel dum segundo andar!) e não conseguia dormir com o barulho num quarto que fosse virado para a linha do comboio.
  • Edificio com número de porta. A primeira casa onde morei (quer dizer, a segunda, que a primeira foi a oferecida pela empresa nas primeiras 2 semanas, mas não contanto com essa) não tinha numero de porta da rua. A morada era apartamento não sei quantos, Dibdin House, Maida Vale. Aliás, esta morada tinha dois inconvenientes: além de não ter número da porta, o nome da rua, não só não tinha “Rua” no nome, como era também o nome da zona! Uma confusão. Imaginem morarem no Edificio Nao Sei Quê, Alvalade, em que “Alvalade” é o nome da rua. Nao é Rua de Alvalade, é só Alvalade! E fica na zona de Alvalade. Pois era aí que eu morava; na rua chamada Maida Vale que ficava na zona Maida Vale. O que vale é que as preposições in/on aqui ajudavam: dizer on Maida Vale significa a rua, que é como quem diz, I live on Endell Street, enquanto que dizer in Maida Vale significa a zona, que é como quem diz, I live in Coven Garden. Mas isto eu só lá cheguei quando já não morava lá (as preposições são o meu calcanhar de Aquiles na língua inglesa)! E depois há o nome do prédio, experimentem pedir um taxi para a Dibdin House, Maida Vale e vejam quantos taxistas é que lá chegam sem ter que vos telefonar a perguntar exactamente onde é que é a Dibdin House. Nenhum! Gostei tanto desta experiência que quando mudei para a segunda casa, fiz o mesmo! Morada: Waltham House, Boundary Road. Raisparta! Ao menos o nome da rua já era mais inteligível e não era tão comprida como a primeira, por isso não havia muito por onde procurar a Waltham House. Além disso nunca precisei de chamar tantos taxis como na primeira casa porque nessa altura já não estava a trabalhar em Chester e por isso não precisava de ir para Euston todas as segundas-feiras às 6 e meia da manhã que era a principal razão para eu precisar de chamar um taxi a casa.

A casa propriamente dita:

  • tem que ter EPC rating de C, no mínimo, senão a casa é um gelo e gasto uma fortuna para a aquecer.
  • tem que ser espaçosa, não estou para viver num cubículo: não pode ser um estudio, tem que ter um quarto onde tem que caber um roupeiro pelo menos de duas portas, uma cómoda, uma cama de casal e uma mesinha de cabeceira e tem de sobrar espaço para andar toda à volta da cama (em alguns quartos tem que se encostar um lado da cama a uma parede); idealmente o hall também terá um armário/dispensa onde se possa arrumar malas de viagem, aspirador, ferro e tábua de engomar, edredons no inverno, a cama insuflável para as visitas, etc., e a cozinha tem também que ter armários como deve ser, não é como algumas que vi que só têm os armários de baixo e um minusculo em cima! Toda a parede superior na cozinha desperdiçada! A sério, o que é que estes construtores/decoradores têm na cabeça? A sala tem que levar um sofá, móvel de TV, uma estante e mesa de jantar e cadeiras se a cozinha não tiver espaço para elas, e uma secretária se  não couber no quarto, isto tudo sem estar tudo atarracado, umas coisas em cima das outras, como é óbvio.
  • tem que ter uma torneira misturadora na casa de banho, coisa que muitas casas de banho não têm neste país; têm uma torneira para a água quente e outra para a água fria. E algumas relativamente recentes, ou com remodelações recentes! É incompreensível mas é verdade (ja misturadora na cozinha nem se fala!! Que também as há com duas torneiras separadas… sem comentarios…).
  • ainda na cozinha, tem que ter extractor por cima do fogão.
  • também tem que ter um frigorifico normal, já vi alguns apartamentos que têm frigorificos pequenos daqueles que cabem debaixo da bancada. Nem pensar! Preciso dum congelador como deve ser para guardar sopa, peixe, pão, vegetais, etc etc que não me apetece andar dia sim dia não a caminho do supermercado.
  • tem que ser mobilada que não estou para andar a gastar dinheiro com mobilia numa casa que não é minha e na qual, se tivermos em conta o meu historial errático, não vou ficar muito tempo.
  • não pode ser virada a norte senão não tem luz directa, principalmente nos longos invernos.
  • Tem que ter uma campaínha normal. Eu explico – o meu apartamento actual não tem uma campainha normal. À porta do predio há um painel, esse mais ou menos normal, onde as visitas escolhem o apartamento para onde querem tocar. Aí, o sistema da campaínha liga para um número de telefone (que tivemos de associar com o nosso apartamento) e através do nosso telefone podemos falar com a pessoa e abrir a porta. Ah, mas isso é espectacular, dizem vocês. Não, não é. O problema é o seguinte, imaginemos o seguinte diálogo:
    – Esta lá, é para entregar a encomenda da amazon.
    – Ah, não estou em casa.
    – Como não está em casa se eu toquei à compainha e a senhora está a falar comigo?
    Os senhores que vão entregar encomendas pensam que estamos a gozar com eles. Pronto, este nem é o maior problema. O maior problema é quando estamos em casa, mas vivemos num sitio com sinal móvel fraco e não  temos rede quando nos ligam (o 12º andar é terrivel); pensam que não estamos em casa. Ou o problema é o telefone associado à campaínha ser o da minha flatmate e ela de vez em quando, se não conhece o número, não se incomoda a atender a chamada. Ou se ela estiver fora do país (não vai atender números do UK) e eu em casa à espera duma pizza. Ou o problema de, quando atendermos o telefonema da campaínha, termos de atender com um “hello” senão a coisa nao funciona! Enfim, não foi um sistema lá muito bem pensado. A única maneira de isto funcionar como deve ser era se ligasse para o telefone fixo de casa. Mas hoje em dia quem é que tem um telephone fixo em casa? Por isso para a próxima, quero uma campainha como deve ser!

Pronto! É só isto! Não é pedir muito, pois não? Não tem que ter varanda, não tem que ter jardim, não tem que ser um andar alto com vista espectacular como tenho agora, se bem que todas estas coisas seriam porreiras. Quer dizer, por acaso o andar alto, vivo bem sem ele; cada vez que chego a casa penso sempre, “e se um dia se avariam os dois elevadores do predio ao mesmo tempo?? ‘tou lixada!”; por isso um primeiro ou segundo andar era o ideal. Alem disso, no 12º andar tenho pouquissima rede de telemovel, por isso algo mais rasteirinho faria maravilhas à minha recepção de sinal. Mas isto depende do edificio que estiver à frente, se eu morar num primeiro andar e tiver uma besta de 20 andares a 5 metros da janela, tambem não chega lá o sol, por isso não pode ser.

Em termos de zona propriamente dita, não descarto nenhum sitio em particular, desde que não seja perigoso e esteja dentro das zonas 1 a 4 do metro. Ja vi (ainda na net, só) de tudo, duma ponta a outra da Northen Line (a linha preta), e toda a parte Este da cidade. A Oeste também não é mau, mas tendo em conta que os locais mais provaveis para eu trabalhar hão-de ser a City ou Canary Warf, o Oeste parece-me algo arriscado. O Sudoeste de Londres está praticamente fora de questão devido ao facto de, se viver nessa zona, ter quase forçosamente que passar pela estação de Waterloo para chegar à cidade. Waterloo é do género – imaginem a Worten, a Fnac e a Zara com tudo a 50% de desconto no Colombo na semana anterior ao Natal. Estão a imaginar? Waterloo em hora de ponta é isso x2. Deus me livre!

A Northern Line também dá muito jeito porque tem ligações muito boas a estas zonas para além de parar também em Euston e Kings Cross St Pancras que são as estações mais prováveis para apanhar comboio se tiver que ir trabalhar para fora de Londres. Birmingham, Chester, Manchester, Liverpool tudo isto parte de Euston e a Escócia, Glasgow, Edimburgo, e Nordeste da Inglaterra, Newcastle, Leeds, parte de Kings Cross ou St Pancras. Por outro lado, também há hipotese de projectos em Brighton (isso é que era!) cujos comboios partem de ou param em London Bridge, também servida pela Northern Line.

Por outro lado, a estação de Bank vai sofrer algumas obras de ampliação nos próximos anos, tendo até que estar fechada uns meses lá para 2020; e não só fechada, como agora está Tottenham Court Road, por exemplo, em que pelo menos os comboios ainda passam por lá, mesmo que não parem; não, a estação vai estar completamente interdita, os comboios nem vão poder passar dum lado para o outro! Vai ser o caos, o drama, o horror! Imaginem o IC19 completamente cortado na saída, por exemplo, para Alfragide, nos dois sentidos, nao dando para passar dum lado para o outro. Os passageiros da Northern Line vão passar um mau bocado nessa altura. Mas sei lá eu onde é que vou estar em 2020! Com um bocado de sorte ja arranjei um contracto como freelance e estou a trabalhar da Parede a ganhar em libras! Ou então nos states a ver como param lá as modas. Seja como for, vou ter que fugir dessa linha nessa altura.

Mais novidades para o ano que vem!

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O Snapchat

Porquê?… É algo que me ultrapassa.

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Há 30 anos na faina

E só hoje é que aprendi a fazer um vlookup no Excel

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Downton Abbey

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Vai agora na sexta e última season. Ainda gosto de ver, ainda gosto da Dowager (não há elogios suficiente à Maggie Smith) mas para dizer a verdade nunca nada foi o mesmo desde aquele acidente automóvel. Não me intressa muito com quem é que a Lady Mary vai acabar (se bem que se for com o Matthew Goode vou-lhe chamar muitos nomes, que desde que o vi no Good Wife que tenho um monumental fraquinho por ele, e isto antes de saber que ele era realmente Inglês – o sotaque, senhores, o sotaque!!) porque não haverá outro Mathew Crawley nem que a vaca tussa.

Dos últimos episódios destaco duas conversas, mais ou menos relacionadas nos seus temas se bem que não na história.

A Mrs. Hughes e o Mr. Carson discutiam e discordavam de onde fazer o copo d’água do seu casamento. Ela insistia num sitio, ele noutro. Ele dizia qualquer do género, it’s my wedding too, ao que ela responde, you’re going to have your way for the next 30 years; on my wedding day I want to do it like I want it.

Noutra ocasião a Edith discutia com a tia o que fazer ao seu apartamento de Londres que tinha recentemente sido deixado vago pelo inquilino. Ponderava ela, a Edith, em ir viver para Londres, mas nesse caso viveria sozinha e achava que não se habituaria. A tia, que vivia sozinha há muito tempo (é viúva) disse que o problema não é a habituação, o problema é podermos gostar demais de viver sozinhas.

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Os semanários

Sendo eu menina habituada a ler o Expresso ao Sábado, tenho a reportar com desagrado que neste país os semanários são publicados ao Domingo.

Ora, isto, parecendo que não, é uma chatice! É que, sendo ao Sábado uma pessoa tem todo o fim de semana para o ler nas calmas, enquanto que, sendo ao Domingo, já não dá. O dia chega ao fim e ainda só vamos em metade dos cadernos e ainda não tocámos sequer nas revistas. Tudo bem que as revistas não são lençóis como são os jornais (como antes era o Expresso) e por isso podemos lê-las no metro, mas o resto do jornal, nem pensar! Mal tenho espaço na Northern Line às 8 da manhã para dilatar o diafragma para respirar, quanto mais abrir um broasheet! E depois, durante a semana, já passou a mentalidade de “ler semanário”…

É outro flagelo da sociedade.

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Women can(‘t) have it all

At a time when women are being told that all they need to do to “have it all” is lean in, try harder, plan their lives more carefully and marry the right kind of husband, the decision of such a high-profile woman to step down, and to speak and write about it so publicly, has continued to make waves.

Excerto da crítica ao livro Unfinished Business: Women, Men, Work, Family da Anne-Marie Slaughter na revista do Sunday Times da semana passada.

O meu primeiro pensamento foi: porque é que os homens não têm problemas destes? Não, mentira, este foi o meu segundo pensamento; o meu primeiro pensamento foi: mas os homens também não conseguem ter tudo! O que é “ter tudo”? Conseguir ser mãe, mulher, esposa, profissional, tudo 5 estrelas? Mas os homens também não são isto tudo, porque é que as mulheres acham que têm que ser?

Isto veio também a propósito das revelações recentemente publicadas no segundo volume da biografia de Margaret Thatcher do Charles Moore (também revisto na mesma revista, foi uma edição muito feminista, também veio lá uma crítica, bastante mázinha por sinal, ao filme Suffragette) de que a senhora teve sentimentos de culpa por não ter acompanhado o crescimento dos seus filhos. Nunca vi nenhuma biografia de um homem que tenha sido pai alguma vez ter declarações destas. Pondo de lado este facto machista, a verdade é que os homens não querem ser tudo, querem ser uma ou duas coisas (normalmente grandes amantes e/ou poderosos líderes; ser “bom pai” não figura muito alto na sua lista de prioridades) e se não forem tudo não é isso que os vai fazer perder o sono ou ter sentimentos de culpa mais tarde.

O meu terceiro pensamento foi acerca da origem deste mal estar feminino por perder o crescimentos dos petizes – quanto desse mal estar é induzido pela sociedade, quanto vem de dentro? Não duvido que os homens amem os seus filhos e preferissem, num mundo ideal, poder conciliar a carreira e a família, mas quando não o conseguem acredito mais na sua tristeza porque a sociedade não a exige tanto como às mulheres. Um pai ausente é apensas um homem de sucesso e a mãe estará lá para compensar a vida familiar. Uma mãe ausente é uma mulher sem coração, coitadas das crianças.

Também penso agora porque é que não se ouve tantos homens dizer que não querem filhos. Pode ser porque no fundo não é uma decisão que afecte a sua vida tanto quanto afecta a vida de uma mulher; ou se calhar eles são em proporção igual às mulheres, apenas não são castigados por dizê-lo como uma mulher o é. 

Ou talvez isto seja o produto de uma mente bombardeada todos os dias com aquilo que “deve ser”, como uma pessoa (homem ou mulher) de hoje em dia se deve comportar. Chovem de todos os lados exemplos de comportamentos modernos, dos filmes, dos livros, do politicamente correcto dos noticiários que a certa altura apetece gritar para parar o carrossel para termos um momento de paz para pensar no que está certo e errado.

Ninguém pode ter tudo.

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Deus castiga

Fui jantar à Pizza Express, lugar proibidissimo desde a minha conversão ao low-carb (mas devo confessar que sou muito pecadora). À primeira dentada, queimei o céu da boca. Pimba! Que é para não ser lambona!

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